O aumento de casos envolvendo estudantes flagrados com drogas dentro de instituições de ensino tem acendido um alerta no Paraná. Para enfrentar esse problema, o deputado estadual Ney Leprevost (União) apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa que visa proibir o porte de substâncias ilícitas em todos os estabelecimentos voltados para crianças e adolescentes no estado. A restrição valerá mesmo para drogas que não sejam criminalizadas para uso pessoal.
A iniciativa tem como principal objetivo proteger a integridade dos estudantes, garantir um ambiente escolar seguro e prevenir a criminalidade. “O porte de drogas, ainda que em pequenas quantidades, representa um risco à integridade dos jovens e pode estimular o tráfico dentro das escolas e outros ambientes de formação", afirmou Leprevost.
Além de atuar na Frente Parlamentar da Medicina, o deputado tem pautado seu mandato em ações voltadas à saúde pública e segurança de crianças e adolescentes. Para ele, medidas como essa são fundamentais para evitar que escolas se tornem espaços de vulnerabilidade, onde o uso e a circulação de entorpecentes possam comprometer o futuro dos alunos.
O papel das instituições de ensino
Segundo o projeto, a responsabilidade pela fiscalização caberá aos diretores e coordenadores pedagógicos das instituições de ensino, que deverão designar profissionais capacitados para identificar e encaminhar os alunos flagrados com drogas para tratamento psicológico e acompanhamento especializado. A proposta reforça a necessidade de um olhar preventivo sobre o problema, em vez de apenas uma abordagem punitiva.
"Nosso foco não é apenas punir, mas também oferecer suporte aos estudantes que precisam de ajuda. Queremos que o ambiente escolar seja um espaço seguro, de aprendizado e desenvolvimento saudável", destacou o parlamentar.
O projeto também abre espaço para a participação de órgãos de assistência social e saúde na orientação de alunos e familiares, promovendo um trabalho multidisciplinar para enfrentar a questão de forma eficiente e humanizada.
Casos recentes aumentam preocupação
A necessidade de uma regulamentação mais rígida sobre o porte de drogas em escolas tem sido evidenciada por casos recentes registrados no país. Em Dourados, a Guarda Municipal foi acionada após uma adolescente de 14 anos ser flagrada com maconha dentro da sala de aula. Já em Navegantes, pais de alunos demonstraram preocupação depois que um estudante de 13 anos foi encontrado com entorpecentes dentro da unidade de ensino. Em Santo Antônio do Caiuá, a situação foi ainda mais grave: uma funcionária de uma escola foi presa sob suspeita de envolvimento com tráfico de drogas durante o expediente.
Esses episódios demonstram que o problema não se restringe apenas aos estudantes, mas também pode envolver terceiros que circulam dentro das escolas, aumentando a necessidade de mecanismos de controle e combate ao tráfico de drogas nesses espaços.
Próximos passos do projeto
A proposta apresentada por Ney Leprevost será agora analisada pelas comissões temáticas da Assembleia Legislativa do Paraná antes de seguir para votação em plenário. Se aprovada, a lei deverá estabelecer diretrizes claras para a fiscalização dentro das instituições de ensino e a aplicação das medidas preventivas.
Enquanto isso, a iniciativa já tem gerado debate entre educadores, pais e especialistas da área da saúde. Para muitos, a proibição é um passo essencial para garantir um ambiente mais seguro para crianças e adolescentes, enquanto outros alertam para a necessidade de políticas de conscientização e apoio psicológico para jovens em situação de vulnerabilidade.
Independentemente do posicionamento, o projeto traz à tona uma discussão urgente sobre o impacto das drogas na vida dos estudantes e o papel da sociedade na construção de soluções eficazes para esse desafio.


Comentários: